Simpósios

Simpósios Temáticos

ST 1: História da Saúde, das Doenças e do Corpo: Instituições, Políticas e Projetos Educacionais

Proponentes:

Profa. Dra. Sônia Maria de Magalhães (UFG)

Profa. Dra. Leicy Francisca da Silva (UEG)

e-mail: leicyf@hotmail.com

Resumo:

Este Simpósio Temático tem como objetivo congregar historiadores, estudantes de história, professores e demais interessados na discussão sobre os temas relativos à história da saúde, das doenças e do corpo no Brasil. Historicamente as questões relativas ao corpo, a vida e aos fenômenos do adoecimento estiveram fora das análises das ciências humanas, o que tem se transformado nas últimas décadas. Atualmente, observamos a um aumento exponencial nas pesquisas voltadas para essas temáticas, o que permite compreender a história e os temas ligados à humanidade com mais cuidado e interesse. Essas pesquisas que parte de concepções teóricas como as propostas por George Vigarello, Michel Foucault, Jacques Revel e Jean-Pierre Peter, Anne Marie Moulin, entre tantos outros, revelam uma maior aproximação entre a história, anteriormente preocupada com as grandes transformações e com os grupos humanos detentores de poder econômico e político da realidade e do interesse pelo homem comum. Embora desde o início do século XX os estudos relativos às doenças tenham feito parte das proposições de alguns estudiosos, principalmente médicos, é na segunda metade do século XX que ela se define enquanto um campo de interesse de historiadores e se caracteriza na sequência como marcadamente interdisciplinar. Foi após uma conceituação mais realista e ampla de saúde, a partir de prerrogativas sociais e culturais, onde saúde e doenças são percebidas como partes constituintes de um mesmo processo, que esse objeto interessou mais fortemente às ciências humanas especialmente com objeto dos estudos históricos.  No Brasil, a coleção “Uma história brasileira das doenças”, em sete volumes, vem congregando as pesquisas desenvolvidas em instituições universitárias de diversas regiões do país e do exterior e expondo de forma clara a importância conquistada pela temática. Em Goiás o trabalho organizado por Lena Castello Branco de Freitas “Saúde e doenças em Goiás: a medicina possível”, em fins da década de 1990, marca o interesse local pela questão. A organização do Grupo de Trabalho História da Saúde e das Doenças – Regional Goiás - na Associação Nacional de História (Anpuh) chancela a importância do tema regionalmente. E o aumento do número de teses e dissertações defendidas nos programas de pós-graduação em torno dessas questões tem pontuado a importância de trazer o tema para o debate nesse “II Simpósio Internacional de História da Universidade Estadual de Goiás XII Encontro Regional da ANPUH-GO” que tem como subtítulo “Conflitos na história; perspectivas historiográficas e práticas docentes”.

 

 

ST 2: Historiografia e Pensamento Social Brasileiro

Proponentes:

Prof. Me. Eduardo Henrique Barbosa de Vasconcelos (UEG/Câmpus Quirinópolis)

e-mail: eduardo.vasconcelos@ueg.br

Prof. Me. Diego de Moraes Campos (UEG/Uruaçu)

e-mail: diegodemoraes@ufrj.br 

Ementa: 

Historiografia brasileira. Pensamento social brasileiro. Teoria da História no Brasil. História dos intelectuais brasileiros. Cultura brasileira. História, Ciência & Historiografia.

Justificativa:

Como explicar o Brasil? Movidos por essa simples mais complexa pergunta, deste a segunda metade do século XIX, os estudos e as pesquisas de intelectuais e diferentes instituições buscam solucionar esse enigma. Pensar e problematizar a produção historiográfica e sua fortuna crítica considerando desde os debates já clássicos do chamado “pensamento social brasileiro” até produções historiográficas contemporâneas sobre política, economia, a cultura e a história do Brasil. Nesse sentido, com o objetivo de reunir professores e pesquisadores que investiguem a produção do conhecimento histórico no (e sobre o) Brasil, o Simpósio busca ampliar as possibilidades de diálogos intelectuais entre as diversas narrativas históricas que envolvam questões desse amplo campo investigativo entendido pelas noções de “pensamento social brasileiro” e “historiografia brasileira”. O Simpósio está aberto a propostas que envolvam temas e disputas da historiografia dedicada a pensar o Brasil como: história dos intelectuais brasileiros, história política brasileira, história econômica do Brasil e história da cultura brasileira.

 

 

ST 3: Ensino de História e Formação Docente: Reflexões e Desafios

Proponentes:

Profa. Ma. Damiana Antônia Coelho (UEG/Câmpus Itapuranga)

e-mail: damianprof@hotmail.com

Profa. Ma. Nalva dos Santos Camargo Silva (UEG/Câmpus Itapuranga)

e-mail: nalvacamargodelta@hotmail.com

Ementa:

Este simpósio tem por objetivo, reunir trabalhos advindos de diferentes abordagens teórico-disciplinares e filiações institucionais que versem sobre o Ensino de História e a formação docente: reflexões e desafios e busca analisar questões concernentes ao processo formativo docente tendo como aporte o ensino de História. Nesse sentido, a proposta parte da vertente teórica abordada por Bitencourt (2004) proporcionar ao leitor o conhecimento dos métodos e técnicas que serão aplicados em sala de aula. Dessa maneira busca-se também analisar como a formação docente diante dos desafios sociais e culturais se fazem presentes no ambiente escolar. Assim sendo, o diálogo que tem como ponto de partida as considerações de Diniz Pereira (2000), Nóvoa (1995) e Imbernón (2010) contribuem com nossa análise no sentido de perceber as diferentes vertentes do ensino e da formação docente. Este estudo se justifica, pois, a Universidade Estadual de Goiás, trabalhando com um número elevado de cursos de licenciatura, de forma especial com a formação de professores, de modo especial no ensino de História, precisa abrir-se ao diálogo, procurando compreender o ensino como etapa indissociável da atuação docente. Nesse contexto, a proposta é refletir sobre o ensino de História, e a formação como contributos na atividade pedagógica dos futuros professores.

 

ST 4: Relações entre História e Psicanálise: teoria, metodologia e fontes

Proponentes 

Profa. Dra. Ana Lucia Oliveira Vilela (UFG)

e-mail: analuciavile@gmail.com

Profa. Dra. Fabiana de Souza Fredrigo (UFG)

e-mail: fabianafredrigo@gmail.com

Ementa:

Um amplo movimento historiográfico, empreendido a partir dos anos oitenta, do século XX, incorporou fontes antes consideradas “acessórias” e/ou “informativas”. A partir dos ares de mudança que atingiram a escrita da História, cartas, biografias, autobiografias, diários e a própria literatura – em suas variadas acepções e perspectivas (alinhavadas em uma história da leitura, por exemplo) – foram revisitadas e revalorizadas no que dizia respeito à potencialidade dessas “fontes” em expressar o tempo histórico. No centro deste movimento encontrou-se a preocupação em reexaminar o lugar teórico-metodológico da subjetividade – ou do processo de subjetivação, caso se prefira. Tais movimentos – incorporação de novas fontes e reexame do lugar teórico-metodológico da subjetividade – trouxeram, ainda, para o debate a relação da História com a Psicanálise.

Considerando este amplo conjunto, que implica avaliar a teoria, a metodologia e a escolha das fontes, este Simpósio Temático pretende abrigar trabalhos que problematizem a aproximação entre os campos da história e da psicanálise, tratando de questões que podem ser resumidas na seguinte pergunta: de que maneira a psicanálise contribui com a análise das fontes históricas e indica novos caminhos historiográficos? No que se refere às fontes, serão bem-vindos trabalhos que tratem das relações mencionadas nas fontes supracitadas (cartas, biografias, autobiografias, diários, literatura), mas não apenas nelas. Interessa-nos também avaliar a mesma relação no que diz respeito à expressão artística. Em virtude disso, as fontes audiovisuais e suas ramificações também terão lugar neste Simpósio Temático.   

Justificativa:

Como as fontes expressam as subjetividades? Poderia o inconsciente individual e coletivo ser objeto da história? Que instrumentos analíticos seriam capazes de captar não apenas o significado explícito da letra ou da imagem mas também a multiplicidade de sentidos que correm entre as linhas, nos entre-ditos, nos inter-ditos, no que se apresenta na cena e na imagem e o que nela é censurado, o obsceno? Parece premente prover compreensibilidade ao passado considerando também o caráter contraditório das subjetividades singulares e múltiplas de cada época. Tais interrogações derivam também da problemática fundamental das formas de produção, manutenção e esgarçamento do laço social, tema caro também à psicanálise. Neste sentido seria essencial refletir sobre as possibilidades e os limites de uma reflexão teórico-metodológica compreendida entre a prática historiográfica e a prática psicanalítica.

 

 

ST 5: História, Narrativas, Identidades

Proponentes:

Prof. Dr. Marcelo Rodrigues dos Reis (UEG/Câmpus de Formosa)

Prof. Mestre Juliano de Almeida Pirajá (UEG/Câmpus de Formosa)

e-mail: julianopiraja@hotmail.com

Prof. Dr. Marcelo Gustavo Costa de Brito (UEG)

Ementa:

Sem abdicar da tradicional reflexão epistemológica quanto ao caráter narrativo da escrita historiadora, da tensão entre o paradigma realista idealizado no século XIX e o ficcional reconhecido hoje como inerente a qualquer organização narrativa, este simpósio pretende estimular debates para o reconhecimento de narrativas como elementos fundadores de imaginários. Pretende-se assim investigar como narrativas naturalizam mundos, a forma como circulam e se fazem hegemônicas, quem as produz e, é claro, as contra-narrativas que desestabilizam as identidades fixas. Nessa abordagem, trabalhos pautados em análises de narrativas míticas literárias, fílmicas, jornalísticas, televisivas e HQs encontram espaço privilegiado para reflexões.    

 

 

ST 6: Imagem em Movimento: Um Olhar Para a História

Proponentes:

Profa. Dra. Jaquelinne Alves Fernandes (UEG/Campus Pires do Rio – UFG)

e-mail: jaquelinnefer@gmail.com

Profa. Ma. Laiane Fernandes Jerônimo (IFGoiano/Ipameri)

e-mail: laiane_ferj@hotmail.com

Ementa:

Pensar acerca do uso de imagens em movimento do cinema como fonte para o estudo das descontinuidades históricas, levando em consideração as rupturas e pluralidades que lhe são constitutivas.

Justificativa:

As ‘imagens em movimento’ dos filmes são discursos instaurados que são construídos e constitutivos por uma rede de enunciados. Conforme Foucault (2007), para se pensar em enunciado, faz-se necessário pensar em função enunciativa que, a nosso ver, estabelece uma relação direta com a noção de função sujeito (correlato das práticas), que é uma função sociocoletiva, que reflete o lugar de social e histórico de onde o sujeito enuncia. Pensando nisso, pretendemos para esse simpósio, tomando como corpus as imagens em movimento do cinema, tidas como enunciados, evidenciar que a história não é contínua, podendo ser contada e constituída por elementos distintos, uma vez que é feita de rupturas. Assim, utilizaremos as imagens para ressaltar que a história se constitui em meio a conflitos e relações de força que não obedecem a uma continuidade, portanto, emerge por meio de deslocamentos.

 

 

ST 7: Territorialidades e Temporalidades Africanas e Afrodescendentes: História da África, a Diáspora Africana e os Estudos Afrodescendentes Numa Perspectiva Interdisciplinar

Proponentes:

Profa. Ma. Janira Sodré Miranda (IFG e NEAAD-UEG)

Profa. Dra. Lorena Francisco de Souza (UEG/NEAAD-UEG)

e-mail: lorena.perolanegra@gmail.com

Justificativa:

Este grupo de trabalho visa mobilizar discussões referentes ao campo interdisciplinar da Geografia e da História, no que tange aos estudos africanos e afrodescendentes, às interseccionalidades e estudos coloniais voltados, em especial, para a questão étnicorracial. Como afirma Moraes (2012) o universo da história é muito mais amplo que o da geografia, e, nesse sentido, a própria geografia representa um produto da história. Seja a geografia material objetivada no espaço terrestre, seja o discurso geográfico acerca de tais realidades, ambos constituem elementos do fluir histórico, sendo por ele explicáveis. As temporalidades e as espacialidades são categorias do fazer nestas ciências, portanto, do ponto de vista das relações étnicorraciais, as discussões neste grupo versam sobre as produções científicas, ligadas a pesquisa, ensino e extensão, no âmbito da Geografia e da História. Do ponto de vista da leitura conceitual das contribuições nesta discussão, pautamos na pluralidade da geo-grafia e da história, no campo das lutas sociais, do ensino, da pesquisa e da extensão, compreendendo que os sistemas de poder operam na colonialidade do poder, ser e saber na construção e manutenção de territórios e territorialidades na contemporaneidade. Ademais, este simpósio pretende congregar pesquisas relacionadas à história da África, da diáspora africana e dos estudos afrodescendentes numa perspectiva interdisciplinar.

 

 

ST 8: Brasil-África: Povo, História, Cultura e Desafios Contemporâneos

Proponentes:

Profa. Ma. Madalena Dias Silva Freitas (UEG/Câmpus Iporá)

e-mail: maueg.puc@gmail.com

Prof. Me. Óscar Morais Fernando Namuholopa (UFG)

e-mail: oscarnamuholopa@gmail.com

Ementa:

Propomos para este grupo de trabalho discutir a herança cultural africana com objetivo de reconstituir o passado histórico, dando ênfase, para além das narrativas do povo africano dentro e fora de África, nos seus aspectos culturais e manifestações espirituais e religiosas que constituem suas marcas indeléveis e, por conseguinte, a sua identidade.

Justificativa:

Pela História, sabe-se que a África é um continente “mãe” que legou ao mundo um grande patrimônio histórico-cultural de toda a grandeza da humanidade e que, pelo seu potencial, transcende as fronteiras do continente. Pelo contexto histórico, o seu povo passou a estar representado além-fronteiras, onde constituiu comunidades mais ou menos heterogêneas e plurirraciais. Como seria esperado, este povo levou consigo para onde quer que fosse o seu manancial espiritual e cultural. Para divulgar e valorizar esse legado, a Lei 10.639 de 2003  tornou obrigatória a inclusão de História e Cultura Afro-brasileira e Africana nos currículos da Educação Básica brasileira.  Decorridos quatorze anos após a Lei, reconhece-se que, ainda há muito a ser feito nos espaços educacionais para efetivar a proposta do documento em referência. Não obstante, consideramos que os debates e os estudos desenvolvidos nestes anos favorecem elementos para uma discussão acadêmica necessária para o momento, tendo em vista a salvaguarda das
conquistas dos movimentos negros no que se refere às medidas afirmativas e a popularização da sua história. Nesse sentido, com esta proposta, para além da reconstituição do passado histórico, pretendemos analisar os desafios e expectativas contemporâneas da África e dos seus descendentes. De forma explícita, as propostas de resumo a serem submetidas para este grupo de trabalho poderão estar vinculadas às trajetórias da descendência afro-brasileira, suas lutas de resistência e de inclusão social, suas religiões, suas relações inter-raciais e os demais aspectos históricos e culturais.

 

 

ST 9: Políticas Públicas no Brasil: Trajetórias e Debates

Proponentes:

Prof. Dr. Marcello Rodrigues Siqueira (UEG/Iporá)

e-mail: marcello@ueg.br

Profa. Ma. Suzana Rodrigues Floresta (UEG/Iporá)

e-mail: suzana.rodrigues@ueg.br

Ementa:

O objetivo deste simpósio temático é discutir o papel das políticas públicas no campo histórico-jurídico brasileiro e, mais especificamente, avaliar o papel do Poder Judiciário em relação às políticas públicas nas dimensões federal, estadual e municipal.

Justificativa:

A escolha do tema se justifica porque o interesse pelas políticas públicas vem crescendo em simetria com o agigantamento do Poder Executivo, fenômeno iniciado no Estado social. Dessa forma, se pode dizer que as políticas públicas têm representado os instrumentos de ação dos governos, numa clara substituição do "governo por leis" pelo "governo por políticas". Além disso, o Estado constitucional tem imposto uma redefinição do papel e das funções do Poder Judiciário, porquanto, com a evolução do Estado das leis para o Estado das políticas públicas, restou ao Judiciário a função de assegurar a implementação dos direitos fundamentais e a progressiva marcha da sociedade para um ideal de justiça substancial. Então, caberia perguntar: O Poder Judiciário pode intervir nas políticas públicas adotadas? De certa forma, acredita-se que o Poder Judiciário pode e deve intervir em políticas públicas, desde que voltada à salvaguarda dos direitos e garantias fundamentais. Portanto, não pode o juiz ficar “amarrado” à opção política adotada quando esta escolha contrarie e viole os direitos fundamentais porque seu comprometimento maior é com o Estado Democrático de Direito e com a Constituição. Assim, em momentos de intenso debate político, como o atual, o estudo jurídico das políticas públicas se torna ainda mais relevante, conquanto a sua consecução não pode ficar ao arbítrio puro do agente político, já que as ações governamentais encontram diretrizes e balizas na Constituição da República.

 

ST 10: Terra, Trabalho e Dignidade: As Metamorfoses do Capital e o Trabalho Escravo Contemporâneo

Proponentes:

Prof. Me. Moisés Pereira da Silva (UEG/ SEDUC-PA)

e-mail: mosico100@gmail.com

Profa. Ma. Jôyara Maria da Silva Oliveira (UNIFESSPA)

e-mail: joyaraoliveira@gmail.com

Ementa:

O trabalho escravo contemporâneo no Brasil, inclusive em Goiás, tem sido uma das expressões mais terríveis da dinâmica do sistema capitalista e das estratégias político–econômicas dos seus agentes dinamizadores. Embora o Brasil tenha sido exemplo de produção de conhecimento sobre o assunto, e de enfrentamento público desse crime, o trabalho escravo não é privilégio brasileiro e no mundo, onde se manifesta, está ligado à lógica de acumulação capitalista (BALES, 2001), fenômeno que não é diferente no Brasil. (MARTINS, 1997). A força dos organismos, especialmente a CPT, engajados no enfrentamento do trabalho escravo logrou a alteração da própria legislação brasileira (SILVA, 2016). Mas, a reação conservadora não tardou e a articulação de ruralistas e empresários urbanos, cooptando o Estado, têm imposta sucessivas derrotas aos trabalhadores em geral e à luta contra o trabalho escravo, em particular. Pretendendo refletir esse contexto, essa proposta de Simpósio Temático, pretende reunir pesquisadores que discutam as condições de trabalho, seja no campo ou na cidade, as reformas políticas e a luta contra o trabalho escravo.

 

 

ST 11: O Lado Perverso do Patrimônio Cultural

Proponentes:

Prof. Dr. Yussef Daibert Salomão de Campos (UFG/GO)

e-mail: yussefcampos@yahoo.com.br

Prof. Dr. Raul Amaro de Oliveira Lanari (UNI-BH/MG)

e-mail: ralanari@gmail.com

Ementa:

A presente proposta de Simpósio Temático visa problematizar e desnudar a aura romântica que ainda paira sobre o patrimônio cultural, uma vez que entendê-lo apenas a partir do olhar arquitetônico, estético-estilístico ou afetivo compromete a percepção de sua dimensão social e das lutas travadas para sua definição. O patrimônio cultural é repleto de aspectos perversos, como a exclusão social, a gentrificação, a má gestão pública, tráfico de bens culturais, a falsa perspectiva – em muitos casos – de real participação popular, a disputa conceitual descontextualizada, etc. Até que ponto a mera admiração estética prepondera sobre o escrutínio histórico e historiográfico? Essa é uma questão que deve caminhar, permanentemente, ao lado do pesquisador engajado nessa área. Não se trata de detratar o patrimônio cultural, mas sim mostrar a face oculta de Janus.

Justificativa:

AS políticas públicas de identificação e preservação do patrimônio cultural no Brasil tiveram início na década de 1930, com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, alinhado com os objetivos do governo de Getúlio Vargas de afirmação de uma identidade nacional homogênea, cujos exemplos monumentais deveriam ser dotados de um aspecto pedagógico, ou seja, deveriam ser exemplos para a formação da consciência nacional. Nessa chave de entendimento, os bens culturais - ainda restritos aos exemplares arquitetônicos e às coleções de bens móveis, ou seja, um patrimônio puramente “material” – possuiriam valores “em si” associados à nacionalidade, tida como uma e indivisível e, por isso, incontestável. As políticas patrimoniais desenvolvidas a partir destes preceitos, apelidadas de “políticas do patrimônio em pedra-e-cal”, voltaram-se para a preservação de edificações e coleções que afirmaram uma visão “pacificada” tanto sobre o Brasil como sobre a própria prática de identificação e proteção do patrimônio cultural. Essa ausência de problematização, tanto dos valores quanto das categorias, gerou políticas de patrimônio cultural extremamente associadas às versões “oficiais” das histórias nacionais e regionais, o que só sofreu críticas nas décadas de 1970 e 1980. A crítica à vertente da “pedra-e-cal” partiu do pressuposto de que o patrimônio não deve ser o protagonista das gestões públicas em torno da cultura, mas sim os indivíduos e a comunidade detentora deste patrimônio. Essa lógica, pouco atendida em exemplos diversos de gestão pelo Brasil, é a demonstração de um raciocínio a ser clarificado. Apesar de, desde os anos 1970, Aloísio Magalhães ter apresentado a necessidade de se inverter a verticalidade da legitimidade do patrimônio (não mais “de cima para baixo”, mas o inverso), observa-se, ainda hoje, a predileção pela pedra e cal, pelas manifestações culturais e celebrações detentoras de projeção midiática, ficando as comunidades detentoras do patrimônio, muitas vezes, à margem dos processos de reconhecimento (ou “vitimizada”, com a diminuição das lutas travadas pelo direito à memória através das políticas patrimoniais). Nem as mudanças nos pressupostos teórico-metodológicos de historiadores, antropólogos e sociólogos, tampouco as mudanças na legislação nacional sobre a preservação do patrimônio cultural (com a Constituição de 1988 e o Decreto 3551/2000) foram capazes de quebrar a primazia da “pedra-e-cal” e das políticas pautadas pelos órgãos públicos. Assim, este simpósio temático propõe a discussão dos aspectos legais, institucionais e sócio-políticos que impactam na manutenção deste cenário na área do patrimônio cultural no Brasil.

 

 

ST 12: A Cultura nas Diversas Disputas Sociais: O Desafio de Identificação das Muitas Memórias e a Construção de Outras Histórias

Proponentes:

Prof. Dr. Paulo Cesar Inácio (UFG/Catalão)

e-mail: paulocesarinacio.ufg@gmail.com

Prof. Dr. Valdivino Souza Ribeiro (PUC/Goiás)

Ementa:

Implicações das pesquisas no comprometimento de pesquisadores e pesquisadoras com o mundo contemporâneo. Agregar pesquisas que identifiquem, nas diferentes disputas sociais, maneiras diversificadas de lutas por direitos no presente. Problematizar o uso que temos feito de memória, gênero, cultura, patrimônio histórico e educação na identificação e enfrentamento dos conflitos sociais existentes.

Justificativa:

A noção de cultura e memória tem sido testada por pesquisadores ao exercitarem seu comprometimento com a realidade social. Nesse processo, captar as diversas disputas sociais, levou a ampliação da ação política de homens e mulheres em um tempo social. Para além de temas de pesquisas avançamos na reflexão sobre a que direções políticas eles nos têm conduzido. De tal modo, processos educacionais têm permitido resgatar não apenas a ação do Estado na alfabetização das classes populares, mas que noção de saberes e consciência social forjamos nessas pesquisas. Análises em relação ao patrimônio histórico avançam para além da consagração de memórias poderosas e hegemônicas, alcançando espaços físicos e culturais experimentados e lembrados por classes populares de maneiras diversas. Descontruindo a memória que elege espaços, conhecimentos e tradições para construir hegemonias, identificamos possibilidades de leituras alternativas da que venceu, recuperando como a constituição dos espaços eleitos como significativos são vivenciados e reconstituídos via memória das pessoas comuns. As tensões e enfrentamentos de uma sociedade desigual têm expressado nas disputas nas relações sociais de gênero, raça. O Simpósio Temático se institui como um espaço político que, mais do que agregar temas, pretende problematizar quais caminhos políticos temos constituído, nas pesquisas que desenvolvemos, na perspectiva do exercício do comprometimento social e dos enfrentamentos dos desafios do mundo contemporâneo.

 

 

ST 13: Performances da Cidade: Manifestações Artísticas e Culturais no Espaço Urbano (Séculos XIX-XX)

Proponentes:

Prof. Dr. Marcos Antônio de Menezes (UFG/Jataí)

e-mail: pitymenezes.ufg@gmail.com

Prof. Me. Antônio de Lion (Doutorando PPGHI/UFU)

e-mail: antonio_calori@hotmail.com

Ementa:

As performances culturais na articulação forma, corpo e ação registram as
experiências humanas pela via simbólica, especialmente a considerar as estruturas do drama na sociedade, por conseguinte no tempo e no espaço (CAMARGO, 2011), privilegiando análises das [re]presentações artísticas e ritualísticas urbanas. Outrossim, as cidades são, talvez desde sempre, o lugar de confluência entre as múltiplas manifestações artísticas e culturais, sobretudo por suas expressões e formas, ou seja, a urbe se presentifica em cenografias dedicadas a arte, ou, não; trata-se de espacialidades (CARLSON, 2012). Assim, os espaços urbanos são “um cenário físico e integrado, capaz de produzir uma imagem bem definida, que desempenha também um papel social. Pode fornecer a matéria prima para os símbolos e reminiscências coletivas da comunicação do grupo” (LYNCH, 1997, p. 5). Nessa perspectiva, a cidade é potencialmente um símbolo poderoso de uma sociedade labiríntica e que pode ter um denso significado em sua relevância. Essa espacialidade é para os artistas um sistema de referências individuais, lugares de memória e de diferentes alusões para as outras pessoas que fruem de suas produções. Nesse sentido, a cidade se apresenta ao historiador da cultura urbana como locus de poder sensual encontrado nos eventos e processos performáticos (ação humana processual na cultura), sobremaneira a sua condição de registradora que a aproxima da história “[...] é matéria morta, misturada na ‘pilha de escombros’ que constitui o passado [...]” (LOPES, 1994, p. 08). A reminiscência de temporalidades.

Justificativa:

As perspectivas historiográficas acerca das cidades devem levar em consideração, atualmente, as performances e performatividades dos espaços citadinos a luz da relação entre o corpo e o espaço urbano, colocando em evidência as experiências de
indivíduos e sujeitos no âmbito político, social e cultural existentes na relação humana com as várias cidades possíveis na invenção do próprio ambiente citadino. As experiências dos usuários de espaços, público ou privado, aparecem como um dado a ser investigado com a característica da ação de seus corpos com as espacialidades construídas. O espaço arquitetônico se apresenta, então, enquanto uma obra na qual sua linguagem dialoga com os usuários por apresentar várias dimensões, podendo – os edifícios - serem penetrados e “sentidos” pelo corpo humano, não sendo este apenas um expectador a contemplar a obra construída. Dessa forma, a interação entre o espaço urbano e a obra dá sentidos a relação dos citadinos que transitam por ela, lendo, sentindo e ressignificando as narrativas criadas pelas linguagens de suas construções (ZEVI, 1996). A partir de cada rua, cada esquina ou beco conformam-se lugares experienciais para os que por ali passaram, por conseguinte, estes locais tornam-se objetos de análise e reflexão histórica. Dessa feita, a proposta deste Simpósio Temático é o debate acerca das interseções entre arte, cultura e sociedade manifestas no espaço urbano, entre os séculos XIX e XX.

 

 

ST 14: Trânsitos Interculturais: Percursos da Produção Intelectual e Artística nas/das Periferias

Proponentes:

Profa Dra. Emile Cardoso Andrade (UEG-POSLLI)

e-mail: emilecardoso@yahoo.com.br

Profa. Ma. Thayza Matos (UEG/Câmpus Formosa)

e-mail: thayzaa.matos@gmail.com

Justificativa:

Este simpósio temático propõe uma discussão intercultural em torno da autoria e do protagonismo de sujeitos cujas produções intelectuais e/ou artísticas são oriundas de espaços fora dos circuitos hegemônicos de poder. Concentramos nossas atenções em reflexões que partem de lugares pouco ou nada privilegiados dentro do cânone centro europeu, branco e heterossexual. Nesse sentido, buscamos relacionar culturas dissidentes e vozes abafadas pelos regimes de poder do mundo contemporâneo. Diante dos estudos pós-coloniais nos debruçamos sobre produções e estudos que se encontram a margem, discursos produzidos fora da zona de poder: América Latina, África, leste europeu, periferias do oriente, afro américa, entre tantas outras.
Aqui se vale lembrar que perante todo o processo colonizador europeu que se deu desde a Grande Expansão Marítima até os percursos imperialistas na África diversos sujeitos tiveram seus discursos e suas vozes silenciadas, suas produções caíram a um local de marginalidade diante do centro de poder que se interpunha: a Europa Ocidental. Dentre esses sujeitos podemos citar as populações negras, mulheres, marginais, pobres, refugiados, imigrantes entre tantos outros, que se encontram hoje em condições de minorias que buscam por direitos que durante muito tempo somente uma pequena parcela da população destes lugares marginais possuíam.
Assim, a exemplo das reflexões de Angela Davis ou da literatura de Conceição Evaristo, dos filmes de Ava Du Vernay ou Sandra Kogut, dos quadrinhos de Laerte às performances de Marina Abramovic, das vozes de Nina Simone a Omara Portuondo, procuramos estabelecer conexões entre pensamentos e experiências de quem nos fala mais de perto, de quem é marcado pelo limite da condição de gênero, ou pela fronteira racial, social e geográfica. Entrecruzar estas produções é sustentar nossa posição como autores produtores de conhecimento e arte e afirmar a ideia de que os trânsitos interculturais aqui propostos são movimentos essenciais dentro da dinâmica histórica e criadora da contemporaneidade.

 

 

ST 15: Usos Públicos da História, Narrativas em Disputa: Discutindo Educação e Patrimônio

Proponentes:

Profa. Dra. Cristina Helou Gomide (FE/UFG)

e-mail: cristinahelou@gmail.com

Profa. Dra. Miriam Bianca Amaral Ribeiro (FE/UFG)

e-mail: mbiancaribeiro@yahoo.com.br

Ementa:

As relações entre o público e o privado na construção das narrativas em história. Usos públicos da história: abordagens, objetos e problematizações. Usos públicos da história e hegemonia. Patrimônio como narrativa e instalação permanente. Ensino de história e usos públicos da história: narrativas em disputa, formação de professores e as fontes nas salas de aula e fora delas. Senso comum e usos do passado. Usos públicos da história regional em Goiás.

Justificativa:

A história se constitui através de narrativas em permanente reescrita e disputa, impossíveis de se compreender sem que se leve em conta as relações de poder que elaboram, instituem e ensinam essas mesmas narrativas. A produção das narrativas, submetendo e submetidas dialeticamente aos contextos, contradições e conflitos próprios do processo histórico, se instalam nos espaços públicos e privados, corroborando a hegemonia ou em luta pela sua desconstrução. A noção de usos públicos da história articula-se diretamente com a questão da memória ( Ricouer, 2007), remonta Harbemas (Kallás, 2017) e impõe-se aqui e agora. Nos tempos em que vivemos, assistimos a reapropriação, reinterpretação e ensino da história como passado relido e usado enquanto recurso para subsidiar a intervenção da hegemonia no presente e garantir a passividade nos espaços diversos, coloca na ordem do dia urgência deste debate entre os historiadores e estes, em sua intervenção como sujeitos de seu tempo. No campo do patrimônio, um dos elementos que privilegiamos nessa proposta, a objetividade material do monumento, por exemplo, está carregada de intenções em permanente reedição da história contada por quem controla o urbano. No ensino de história, dentro e fora das salas de aula, associada à noção de cultura histórica (Le Goff, 1990), convivemos com a reedição atualizada (e por vezes ‘modernizada’ pelo acesso às novas tecnologias), das narrativas que, embora superadas tanto teórica  e metodologicamente, quanto do ponto de vista historiográfico, seguem cumprindo papel formador de visões de mundo que justificam  a submissão, naturalizam a exploração e o controle dos sujeitos sociais, especialmente nossa juventude, hoje ainda aprendendo os  preconceitos, a desigualdade e a dominação como inevitáveis e inerentes à história da humanidade. Professores historiadores têm abraçado desse debate como imprescindível para se localizar politicamente em seu exercício (Denelon, 2014). Esse Simpósio Temático se propõem a estimular, socializar e problematizar exercícios de pesquisa, ensino e extensão que estejam comprometidos com a desnaturalização dos usos públicos da história como instrumentos de controle social, bem como da produção de alternativas de intervenção dos historiadores, dentro e fora das salas de aula, na direção da formação de sujeitos senhores coletivos de seu tempo e seu lugar.

 

 

ST 16: Trajetórias Intelectuais e Derrotas Políticas. Para Uma Historiografia do Fracasso Político-Institucional do Intelectual Radical nas Experiências Históricas dos Capitalismos Contemporâneos

Proponentes:

Prof. Dr. João Alberto da Costa Pinto (UFG)

e-mail: joaoacpinto@yahoo.com.br

Profa. Ma. Kellen Cristina Prado da Silva (UFG)

e-mail: kellenpsilva@gmail.com

Ementa:

O Simpósio Temático está organizado para receber comunicações que apresentem estudos sobre a derrota política do intelectual radical na cena contemporânea das diferentes experiências institucionais capitalistas do século 19 ao século 21. Mais precisamente, comunicações sobre a derrota política do intelectual radical em experiências de capitalismo colonial em África e Américas (nos séculos 19 e 20); em experiências de capitalismos de Estado (vulgarmente conhecidas como experiências “socialistas”), especialmente o capitalismo de Estado soviético (1917-1991); nas experiências capitalistas do Welfare State (EUA e Europa no período de 1945 a 1990); e nas experiências dos nacionalismos corporativistas de timbre fascista-populista (Europa e Brasil). A perspectiva teórico-metodológica dos organizadores deste Simpósio está sustentada na análise histórico-sociológica de Karl Mannheim e Lucien Goldmann e também na historiografia marxista de João Bernardo. O foco central do Simpósio será o de debater trajetórias de intelectuais radicais de matriz ideológica anticapitalista, mas também receberemos trabalhos que tratem de intelectuais-gestores, isto é, aqueles que organizavam suas perspectivas ideológico-institucionais no comando de situações revolucionárias, mas que foram colapsados pelo processo a que estavam diretamente envolvidos. E ainda, estudos sobre intelectuais independentes (especialmente os “literatos”, “os escritores”) que se viram socialmente derrotados por circunstâncias políticas que muitas vezes tentavam ignorar com a sua intervenção intelectual não engajada.

Justificativa:

A proposta temática deste Simpósio vincula-se diretamente às pesquisas que vêm sendo desenvolvidas pelos integrantes do Núcleo de Estudos e Pesquisas em História Contemporânea (NEPHC) e do Grupo de Pesquisa: Ideologias dos Pan-Africanismos no século 20, órgãos ligados à Faculdade de História da UFG. Professores e estudantes originados de cursos de graduação e dos Programas de Pós-Graduação nas áreas de História, Ciências Sociais, Letras e Educação da Universidade Federal de Goiás.

 

 

ST 17: Existências & Corporificações Performativas: Interfaces Entre História, Educação e Artes Diante dos Problemas de Gênero

Proponentes:

Prof. Dr. Aguinaldo Rodrigues Gomes (UFMS/CAQ)

Prof. Me. Robson Pereira da Silva (UFG/Jataí)

e-mail: robson_madonna@hotmail.com

Ementa:

A luta pela existência das diferenças, sejam elas sexuais, corporais e de gênero, historicamente, tem marcado os embates entre agentes sociais que transpõem a moldura da normatividade versus áqueles que prezam pela manutenção do status quo, especialmente por processos de regulação do corpo (SPARGO, 2017). A referida luta tem apresentado representações de realidades plurais que extrapolam o circuito heteronormativo compulsório, exibindo corpos reinventados, identidades transgêneras que desafiam a ética e a estética binária, religiosa e biológica que mantém as desigualdades e problemas que envolvem as relações gênero, inclusive nominando as identidades não hegemônicas como ideologias. Trata-se de embates de performatividades (CORREIA, 2015). O presente simpósio busca angariar e mapear trabalhos que tratem de existências que buscaram sair da rigidez da performance normativa (BUTLER, 2008), que apontem historicamente traços de atuação transgressora, seja em processos artísticos, históricos e educacionais. Dessa feita, a proposta se justifica no anseio de enfrentar a problemática das linhas limítrofes entre modos de convivência e existência que incidem nos embates que as relações de gênero têm provocado no mundo contemporâneo, onde a arte e a educação tem sido alvo de ataques constantes, vide os casos de atuação de projetos como “Escola sem partido” e a censura a exposição de cartografias da diferença -Queermuseu- promovida pelo Santander Cultural, em 2017. Assim, os diálogos serão estabelecidos com os estudos de gênero, queer e feministas que, de certa maneira, lidam com objetos de pesquisa voltados para linguagens artísticas e prospecções educacionais, sobretudo aqueles que prezem as práticas e representações que corporificam existências desviantes da ordem da normatizada.

 

 

ST 18: Relações Entre Literatura, História e Imaginário

Proponentes:

Prof. Me. Edilson Alves de Souza (UEG/ UFG-CNPq)

e-mail: edilson.paceros@hotmail.com

Profa. Dra. Vanessa Gomes Franca (UEG/ UFG PNPD-CAPES)

e-mail: francavg@hotmail.com.br

Ementa:

Discurso histórico e discurso literário; Teoria da História e Teoria da Literatura; Interações interdisciplinares e hibridismo disciplinar entre literatura e história; Procedimentos de ficcionalização da história, de historicização da literatura e de representação do imaginário; Estetização da história e ficção documental.

Justificativa:

As possíveis relações entre o discurso histórico e o discurso literário compõem uma série de questionamentos cujo material investigativo permeou (e ainda permeia) diversas perspectivas – de Aristóteles a Hayden White e muito além desses pensadores. A História e a Literatura dividem objetos e artifícios, substratos e procedimentos, símbolos e formas de representação, nos quais o imaginário do homem adere denotações e conotações imprevistas; e as fronteiras dessas disciplinas veem-se diante da opção de um hibridismo mútuo, manifesto em exemplos (na literatura) de romances históricos, de metaficção historiográfica, de literatura de testemunho, tanto quanto (na história) de adesão a novos suportes (verbais e não-verbais) como fontes da “verdade” histórica, como aqueles orais, testemunhais e oriundos de documentos literários e não-oficiais. As interações interdisciplinares, multidisciplinares e transdisciplinares provocadas pelo diálogo profícuo entre a literatura, a história e o imaginário são, ainda hoje – era da extrema informatização –, campo fértil de pesquisas com configurações que permitem o amadurecimento das discussões relativas ao tema. Isto posto, o presente Simpósio visa acolher trabalhos de estudantes, professores, pesquisadores e demais profissionais interessados em apresentar estudos críticos, analíticos e teóricos, sob ângulos diversos, a respeito das interrelações entre literatura, história e imaginário, que discutam e interpretem aspectos imagísticos, simbólicos míticos de um povo, de uma época, de uma obra.

 

 

ST 19: Didática da História e Manifestações da Cultura

Proponentes:

Prof. Dr. Rafael Saddi (UFG)

Prof. ​Dr. Roberto Abdala Jr. (UFG)

e-mail: abdalajr@gmail.com

Ementa:

O debate a respeito das relações entre as mais diversas manifestações da cultura e a história/História cresceu vertiginosamente a partir das novidades apresentadas pela Escola dos Annales. Mais recentemente a situação da História alterou-se de forma significativa com as contribuições da historiografia alemã, especialmente no aspecto em que ela retoma a Didática da História para o campo da História como ciência.  O simpósio que apresentamos busca contemplar, portanto, estudos sobre todas as manifestações da cultura em suas relações com as diversas dimensões da história/História, abrindo espaço para questões sobre usos públicos da história – a maneira como elas explicam ao público processos e acontecimentos do passado.

Justificativa:

A contribuição mais relevante da historiografia alemã talvez resida no fato de reconhecer a função antropológica fundamental do conhecimento do passado: oferecer interpretações de experiências históricas aos seres humanos de forma a permitir que se orientem no presente. A História tem, então, reconhecida sua dimensão antropológica, intrínseca e fundamental para indivíduos e sociedades, cujo desempenho na cultura, especialmente contemporânea é preciso investigar. A Didática da História recupera seu papel original, como o campo de investigação que interroga os processos socioculturais por meio dos quais o passado é conhecido e reconhecido na cultura e como serve à função de orientação. Além disso, é fato que a importância das questões relativas a esse campo precisam acompanhar os avanços das tecnologias de comunicação, informação, especialmente no que concerne aos usos (e abusos) da história/História na escola ou noutros espaços da esfera pública.  Abordado sob as premissas da Didática da História, alguns problemas clássicos referentes às relações entre história/História e manifestações da cultura recebem nova luz. Sobretudo, porque a articulação do quadro conceitual mais amplo permite que muitos problemas circunscritos a outros campos de conhecimento possam ser incorporados pela História.

 

 

ST 20: Religiosidades e Sentidos de Mundo na Modernidade Tardia

Proponentes:

Prof. Dr. André Caes (UEG/Câmpus Morrinhos)

e-mail: caesananda@bol.com.br

Prof. Me. Robson Gomes Filho (UEG/Câmpus Morrinhos - UFF)

e-mail: robson.gomes.filho@gmail.com

Prof. Dr. João Paulo de Paula Silveira (UEG/Câmpus Iporá - NER-UFG)

e-mail: jpsilveirahistoria@gmail.com

Ementa:

Esse Simpósio Temático acolhe os trabalhos e as pesquisas que problematizam os fenômenos religiosos na contemporaneidade. Trata-se de uma iniciativa radicada nas Humanidades e que procura responder às interpelações oriundas das dinâmicas religiosas atuais, com especial ênfase nas interfaces entre religião e relações de poder, religião e juventude, religião e direitos humanos, religião e meio-ambiente e novas identidades religiosas. De natureza interdisciplinar, o Simpósio Temático agremia pesquisadores/as que empreenderem pesquisas no âmbito da História, Geografia, Sociologia, Antropologias e Ciências da Religião.

Justificativa:

O fenômeno religioso, em sua pluralidade de manifestações, práticas e escopos, interpela-nos no início desse século em virtude de sua vivacidade e influência nos rumos da vida dos sujeitos e das coletividades. A presença das religiões no espaço público, na política e seu imbricamentos com outros campos da experiência humana, como a ecologia e a saúde, evidenciam os limites da tese da secularização em sua forma teleológica assim como o florescimento de novas maneiras de se conceber a religião. Diante desses desafios reflexivos, essa iniciativa se justifica em virtude da importância do estabelecimento do diálogo intelectual e da produção de saberes peritos a respeito dos fenômenos religiosos na modernidade tardia. A partir das considerações de Peter L. Berger (2017) sobre a condição plural da modernidade religiosa, procuraremos entabular conversações entre os/as estudiosos/as das diversas disciplinas que empreendem pesquisas sobre um objeto cada vez mais multifacetado, complexo e desafiador.

 

 

ST 21: Perspectivas Sobre a Saúde e as Cidades em Goiás: História, Patrimônio de Memória

Proponentes:

Prof. Dr. Éder Mendes de Paula (FE/Goianésia – NUDHEABI)

e-mail: falecomoprofessoreder@gmail.com

Prof. Me. Murillo Oliveira Soares (Professor da Rede Privada de Ensino)

Ementa:

A proposta do simpósio é reunir trabalhos que tenham como foco as perspectivas urbanas e o desenvolvimento das cidades em Goiás abrangendo de forma interdisciplinar as instituições de saúde e sua contribuição para a História das Cidades. No entanto, encaixam-se também trabalhos que tenham como escopo a construção das memórias regionais, que igualmente fazem da cidade esse organismo quase vivo, possibilitando a abordagem dos mais diversos objetos e problematizações, como as fases de modernização, sanitarização e higienização. Neste aspecto as instituições de saúde e administração pública tiveram um importante papel na integração ou dissociação dos espaços urbanos durante o século XX em Goiás, cujas representações guiaram diversos discursos políticos em várias regiões.

Justificativa:

A partir da década de 1970 houve uma aproximação da história com outros campos do conhecimento, como a arte, medicina, literatura, arquitetura, entre outros, dessa forma houve uma ampliação dos estudos acerca dos espaços históricos, das memorias locais, e um despertar por entender e relacionar os agentes públicos com o desenvolvimento das cidades, a sua economia e as ações empregadas pelo Estado.  Em Goiás houve um grande crescimento na economia com a vinda da estrada de ferro, a modernização do campo e de outros setores da economia, sendo assim houve a necessidade de intervenção do Estado em diversos setores da sociedade, esse simpósio tem como foco perceber e compreender como essas ações influenciaram o crescimento urbano, as ações de saúde, os espaços de memória que foram criados ou descartados pelos agentes do Estado.  É necessário, portanto, discutir e refletir a cidade como resultante das representações sociais e sensibilidades que a cercam. Neste sentido, se faz importante tal abordagem por reunir pesquisadores com as mais diversas visões sobre a cidade e sobre a saúde, sendo esta um dos meios de maior intervenção nos espaços públicos através das campanhas de sanitarização e higienização. Essa discussão é pertinente, principalmente ao possibilitar uma visualização para além de Goiânia, visto que cidades do interior também passaram por políticas, de certa maneira, parecidas e que precisam ser discutidas no âmbito acadêmico.

 

 

ST 22: História da Educação: tempos, recortes, fontes e métodos

Proponentes

Profa. Dra. Diane Valdez (FE/UFG)

Profa. Dra. Tatiana Sasse Fabiano Ribeiro (FE/UFG)

E-mail: ufg.valdez@gmail.com

Ementa

História da Educação regional, nacional e internacional. Revisão historiográfica e produções clássicas. Fontes e arquivos. Métodos e metodologias em pesquisas. Disciplina de História da Educação. Recortes históricos e o tempo escolar. Instituições de educação formal e informal. Espaços educativos na história; Cultura material escolar.  

Justificativa

Ampliar os estudos e pesquisas no campo da História da Educação, em Goiás, pode desvelar práticas que contribuem para a compreensão da história em diferentes aspectos, seja na educação formal, como também informal. Para tanto, reunir pesquisadores e socializar investigações diversas, constitui-se como um importante movimento no interior de um tempo em que estamos ampliando os debates em torno desta área. As produções científicas, em especial as que abordam temas educativos regionais, tem alcançado um espaço relevante, sobretudo nos programas de pós-graduação, expandindo temas e períodos históricos. Isso tem permitido conhecer mais a respeito da história de instituições educativas, sejam elas públicas ou privadas, e os lugares ocupados no decorrer do tempo e do espaço. Propomos assim, com este Simpósio Temático, proporcionar um encontro no qual o diálogo traga parte das experiências acadêmicas produzidas sobre a História da Educação em diversos aspectos teóricos, metodológicos, recortes, fontes, arquivos e outros.

 

 

ST 23: História Regional em Perspectiva: temas, abordagens e fontes

Proponentes:

Profa. Dra. Iara Toscano Correia (UFG/Jataí)

Prof. Me. Murilo Borges Silva (UFG/Jataí)

email: muriloborges.historia@gmail.com

Ementa:

A proposta deste Simpósio Temático consiste em reunir trabalhos cujos temas versam sobre os estudos regionais, em diferentes temporalidades. Nesse sentido, busca-se congregar pesquisadores/as que dirigem suas lentes para as análises sobre o regional/local. Intenta-se refletir sobre a realidade social mais próxima, articulando as construções discursivas e a produção de sentidos que resultam em distintos  processos de regionalização. As narrativas produzidas a partir dessa proposta, deixam de ser apenas um espectro das análises hegemônicas, para incorporar os fenômenos do regional/local. Essa perspectiva tem em vista a construção de uma pluralidade de temas com ênfase na visibilidade de sujeitos, comumente, invisíveis em abordagens macro-analíticas. Tais sujeitos passam a ter visibilidade, indicando que outro tipo de racionalidade é possível, pautada pela singularidade de viver e ocupar o Brasil interior, distante dos grandes centros, mas que, ao mesmo tempo, participa e dialoga com ele.

Justificativa: 

A proposição desse simpósio fundamenta-se na necessidade de construir espaços de discussões que agregue pesquisadores/as interessados/as na constituição de saberes sobre o regional/local. Configura-se, portanto, como oportunidade ímpar de fomentar o conhecimento e realizar trocas de experiências sobre diferentes temas, abordagens e suportes documentais, na construção da história regional/local.

 

 

ST 24: Religião e Modernidade: Interfaces

Proponentes: 

Prof. Dr. Deuzair José da Silva (UEG/Jussara)

Prof. Dr. Eduardo Gusmão de Quadros (PUC Goias/UEG Goiás)

Resumo: 

Este Grupo Temático está voltado para as complexas relações entre a esfera religiosa e a construção da modernidade. Como se sabe, autores clássicos a exemplo de Marx, Freud e Weber acreditavam na progressiva decadência das crenças religiosas na constituição do mundo moderno. Os chamados teóricos da secularização, durante os anos sessenta do século passado reforçaram tal perspectiva, tendo esse paradigma interpretativo predominado até a década de oitenta. Percebeu-se, então, que a modernidade, longe de ser contrária à religiosidade, vem produzindo formas religiosas específicas. Pretende-se averiguar neste simpósio temático tais mudanças e compará-las através das pesquisas contextuais e de reflexões teóricas acerca dos possíveis intercâmbios entre a religião e a modernidade. Damos ênfase especial aos temas da individuação das crenças, da laicidade e secularização, do processo de reconfiguração das mensagens religiosas e a interface entre as globalizações e o campo religioso brasileiro.

 

 

ST 25: Mundos e visões da Antiguidade e Medievo

Proponentes: 

Prof. Dr. Eduardo Soares de Oliveira (UEG)

e-mail: historiadoreduardo@yahoo.com.br

Profa. Dra. Armênia Maria de Souza (UFG)

e-mail: armeniagd@gmail.com

Ementa:

O presente simpósio visa congregar trabalhos de pesquisadores em História e áreas afins. O intuito é refletir a partir da antiguidade e medievo como se apresenta e se construiu as visões e mundos mediados essencialmente por meio das representações e imaginários de uma época. Logo, buscar-se-á neste simpósio perceber a multiplicidade de olhares que podem auxiliar na compreensão da antiguidade e do medievo. Neste sentido, as pesquisas de historiadores, mas, também, de pesquisadores da literatura, filosofia, antropologia, teologia entre tantas outras, vem somar perspectivas e possibilidades de compreensão deste universo que inclui a antiguidade oriental, ocidental até o medievo por volta do século XIV.  

 

 

ST 26: FIGURAÇÕES DO TEMPO E CIDADES: Narrativas, Sensibilidades e História

Proponentes: 

Dra. Vera Lúcia Silva Vieira (UNESP/Franca)

e-mail: veravieira.luci@yahoo.com.br

Dr. Radamés Vieira Nunes (UFT/Porto Nacional)

e-mail: radamesnunes@uft.edu.br

Ementa:

A proposta do simpósio é abarcar trabalhos e pesquisas interessadas nas múltiplas configurações do tempo e cidades, com atenção especial para narrativas e linguagens que figuram percursos e tessituras urbanas, tramas sensíveis a demarcar e enunciar complexos meandros entre razão e sentimentos, desejos, medos, indiferenças e humilhações; multifacetadas dimensões da condição humana que dizem respeito às diversas formas de experiência estética, sensível e histórica. A que somamos preocupações relativas às diferentes percepções e experiências do tempo que mobilizam afetos, sentimentos e linguagens. Diálogos e encontros que envolvem cidades plurais, ambivalentes, indefinidas e imprevisíveis; inquietações que muitas vezes evocam as formas plásticas das cidades e do tempo. Desse modo, procuramos aprofundar debates e reflexões sobre as temporalidades urbanas, sensações vicejadas em sua própria materialidade, reunindo pesquisadores que busquem também explorar diferentes texturas e intersecções históricas por meio de variados discursos e gêneros textuais.